Portugal, cuja história está resumida e concentrada em 7 minutos é um país realmente especial. A história, a desproporção entre o nosso tamanho e a nossa grandeza são realmente raros no mundo. Eu digo únicos.
Os portugueses são bem estranhos, capazes do melhor e de coisas muito más, mas somos, como povo, incapazes do pior.
Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir a pena de morte. "A última execução ocorreu em 1846, em Lagos, e a pena foi abolida em 1867, com a aprovação de noventa por cento dos deputados das Cortes. Muito antes da maioria dos nossos vizinhos europeus: relembre-se que a Espanha, em 1975, ainda executava pessoas com garrote; o Reino Unido só aboliu a pena capital em 1973, e a França em 1981. Quanto aos Estados Unidos são bem conhecidos os tristes números dos seus corredores da morte, onde durante anos se acumulam presos destinados à injecção letal, à cadeira eléctrica e mesmo à forca (ainda prevista em alguns estados)."
Mais de 100 anos adiantados em relação a outros países, de economias mais desenvolvidas. Em muitas coisas temos muito a aprender, mas nestes assuntos de humanidade acho que temos ensinado.
Um dos argumentos, que considero mais provincianos é o que faz a perversa ligação entre desenvolvimento e aborto. Ou a ligação entre aborto livre e um perverso conceito de desenvolvimento.
O primeiro país a legalizar o aborto foi a União Soviética em 1921 após a revolução. Ainda hoje a Rússia está no podium dos abortos, com 60% de todas as gravidezes a terminar em aborto. (dados de entidades cientificas russas em silentvoices.org).
O recordista mundial de abortos é a Roménia com 3 em cada 4 gravidezes a terminar em aborto. (segundo o mesmo site).
O aborto é livre na Albânia, na Arménia, no Cazaquistão, no Azerbeijão, na Bielorrússia, na Bósnia-Herzegovina, por exemplo.
Em um terço dos países desenvolvidos o Aborto NÃO é livre (informações do Partido Socialista Europeu, editadas em Portugal pelo PS). Entre esses países estão a Irlanda (onde só é permitida em caso de risco de vida da mãe), parte do Reino Unido (Irlanda do Norte) e a Suiça.
Se há coisa que o aborto não é seguramente, é sinal de desenvolvimento.
Uma sociedade desenvolvida e forte não exclui os mais fracos, sejam deficientes, velhos, ou bebés por nascer.
Portugal não é a Finlândia dos sonhos de alguns dos nossos políticos; que em vez de imitarem o que esses países têm de melhor (como licenças de maternidade até 24 meses e protecção e incentivo à família) querem imitar a única coisa que seguramente não nos fará mais desenvolvidos, nem mais solidários, nem melhor país. Muito pelo contrário.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
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