domingo, abril 05, 2009

TIA LINA

(1 Abr 2007)
Hoje é Domingo de Ramos
dia das madrinhas.
Vou escrever-te:
Tenho saudades tuas.
Fazes-me falta.
Faz-me falta o teu olhar simples
sobre as coisas.
O teu olhar acolhedor sobre todos.
O teu olhar sem juízos,
sem amarguras.
O teu olhar sempre novo,
sempre esperançado.
Sempre com outro horizonte,
mais largo, mais eterno,
mais luminoso.
Tinhas um olhar de criança.

Foste a minha madrinha.
És a minha madrinha.
Godmother, mãe em Deus.
Que me fez sentir um amor incondicional.
Que se alegrava com os meus sucessos,
mas que nunca fez depender deles
o seu amor por mim.
Que nunca esperou nada de mim.
Apesar de (sobretudo nos últimos tempos)
ter esperado tantas vezes,
tantas tardes, tantos fins de semana,
por mim,
em vão.
Porque, fechado em mim, nos meus problemas e dificuldades,
me esquecia de ti.
Ou não esquecia, mas não te ía visitar.
Só no fim, só na cama do hospital
te consegui (e a custo) dizer que gosto de ti. Nunca o tinha dito
depois de tantos anos e tanto amor que me deste.
Acho que sabias, mas foi tão pouco o que te disse.

Deste-me outros horizontes.
Deste-me o sentido do transcendente.
Libertaste-me dos horizontes curtos.
Ensinaste-me a amar à moda de Cristo.
Nenhumas visitas minhas poderiam agradecer o que me deste.
Acho que a única coisa que posso fazer
para agradecer, é dar fruto eu também.
É viver como tu viveste,
é morrer como tu morreste,
por amor. Sempre por amor.
Obrigado Tia.
Vives sempre e para sempre dentro de mim.

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